quarta-feira, 15 de junho de 2011

São João será com ferryboat sucateado e rodovia travada na Bahia

Salvador - Quem estiver se programando para curtir o São João no interior, que se prepare para sofrer muito antes de se divertir um pouco. Por terra ou por mar as dificuldades para quem vai viajar serão bem maiores que as registradas no ano passado, quando o engarrafamento na BR-324 chegou a quase 10 horas.

A situação prevista para este ano é mais grave porque na BR-324 e na BA-093 as praças de pedágios estão lá para infernizar ainda mais o tráfego de veículos, o que não acontecia no ano passado. Na pressa de autorizar a cobrança de pedágio, o governo esqueceu de exigir das concessionárias a construção da terceira pista na BR-324 (Salvador-Feira).

A Agerba (Agência de Regulação da Bahia) informa que o movimento de saída da cidade pela Estação Rodoviária será intenso. A previsão é de que nada menos que 236 mil pessoas deixem a capital através dos ônibus do sistema intermunicipal. Tradicionalmente, o São João é o período de maior movimento de passageiros na rodoviária. A previsão da Agerba é que sejam disponibilizados 2.600 horários extras.

E que o governo não culpe depois a ''centralização'' da Rodoviária de Salvador e as empresas de ônibus por um possível caos. Os empresários de ônibus, por exemplo, estão com as mãos na cabeça. Com o engarrafamento nas BRs, os veículos, principalmente os que operam nas linhas da Região Metropolitana, vão partir da Rodoviária, mas sem nenhuma previsão de retorno a Salvador, pois ficarão presos nas rodovias.

O fato já aconteceu no ano passado e é uma dor de cabeça tanto para as empresas, que ficam sem ônibus para atender à demanda, como para a administração da Rodoviária de Salvador, que terá que assistir sem nada poder fazer o terminal enchendo de passageiros, que se acumulam devido ao atraso de horários causado pelo engarrafamento ao longo da BR-324 e da BA-093.

O Complicado Ferryboat - A agência de regulação não divulgou ontem, como havia prometido, nenhuma previsão sobre o sistema ferry-boat, que ela também fiscaliza. Na última quinta-feira, o diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pessoa, tinha prometido à imprensa cobrar da concessionária TWB o esquema da empresa para o período.

Não deve ter conseguido ainda. Afinal, ninguém sabe se a concessionaria conseguirá ter um, dois ou três navios em operação, já que cinco embarcações estão encostadas no Terminal de Bom Despacho à espera de conserto. Aliás, um parêntese aqui: uma notinha distribuída pela Seinfra informava que o ferryboat iria operar com "esquema especial". Ninguém entendeu nada desse "esquema especial" com uma, duas ou apenas três embarcações em tráfego, que não permitem a abertura de horários extras. Mas, enfim, isso aí é parte da desinformação do pessoal da Seinfra-Agerba.

Se o usuário de carro estiver querendo fugir do engarrafamento das rodoviias pelo ferryboat da TWB, é bom mudar de ideia rapidamente. Hoje e agora o sistema só tem três navios em tráfego, um deles operando precariamente, que é o "Pinheiro", que está fazendo o percurso de apenas 14 quilômetros entre Salvador e Bom Despacho em nada menos que 1 hora e 50 minutos - um verdadeiro recorde.

Com a ''cobrança'' da Agerba, a TWB corre desesperadente contra o tempo. Está tentando concluir os serviços de remotorização do ferry "Ivete Sangalo", parado há 40 dias. Mas, alem da remotorização, a concessionaria terá que retirar um remendo de cimento com concreto que ela fez nessa embarcação, para evitar a entrada de água na Praça de Máquinas.

A Capitania dos Portos informou que se o "Ivete Sangalo" não estiver em condições de navegar com plena segurança, não será liberado ao tráfego. Com remendo de cimento no casco, não vai ser possível.

Outro fato que atormenta o governo, através da Seinfra e da Agerba, é a questão do ferry dose dupla "Juracy Magalhães Jr.". Depois de passar quase dois anos em ''reforma'', o navio foi desaprovado pela Capitania dos Portos. É que mexeram tanto no projeto original do navio, que o comandante da embarcação não tem qualquer visibilidade dos pontos de atracação. A TWB instalou câmeras para "evitar" que o comandante ficasse totalmente "cego".

Resultado: a TWB está tirando às pressas agora uma cobertura muito da armengada de PLÁSTICO que fez no convés adaptado na área onde antes era a cabine dupla de comando do velho "Juracy". O leitor pode comparar as mudanças feitas nas duas fotos acima. Para ser liberado pela Capitania dos Portos, a TWB terá que cumprir todos os ítens exigidos - não é apenas a retirada do plástico. Do contrário, o "Juracy Magalhães" permanecerá encostado.

Como a quase totalidade dos usuários do ferryboat já sabe do caos em que se encontra o sistema, ninguém vai querer se aventurar. A única saída será pegar a estrada. É bom que se diga que, ao contrário da Estação Rodoviária, o São João, tradicionalmente, nunca foi um período de grande demanda no ferryboat.

Afinal, a Ilha de Itaparica não tem São João forte e o sistema era usado apenas como uma válvula de escape para quem quer ir para Nazaré, Santo Antonio de Jesus e Amargosa. Agora, nem para isso mais serve.

Fonte: Jornal da Mìdia

Nenhum comentário:

Postar um comentário